Contexto: viagem de trabalho com dia e meio para passear; duas noites em Mati, uma pequena “cidade” junto à costa e duas noites em Atenas; pouco tempo para organizar a viagem (avisaram-me cinco dias antes de partir); um amigo diz que um dia é muito para ver Atenas, que é desorganizada e não tão desenvolvida como à partida pensava; outro (o grande João Rocha*) é da mesma opinião, diz que os gregos (mais velhos) não sabem falar inglês, sugere que vá ver o estádio olímpico e envolvente e que as gregas, para além de bonitas, são todas possuidoras de fruta generosa; o meu patrão afirma que os taxistas são loucos (onde é que eu já vi isto) e que se acelerarem muito é melhor pedir para parar, porque de certeza me estão a enganar.
Atiro-me de cabeça:
Cheguei a uma quarta-feira ao final de tarde (na Grécia são mais duas horas do que em Portugal). Da janela do avião vejo a paisagem seca típica Mediterrânica. O aeroporto é grande e bem organizado. Vou de encontro à zona dos autocarros e procuro informação nos placares, desisto quando vejo um balcão de informações. Neste um senhor aponta-me para o balcão seguinte quando pergunto por um autocarro para Mati. Na sequela Balcão Parte II uma grega nova muito simpática e bela, de olhos verdes esclarece-me, num inglês perfeito, que só há autocarro directo para Mati a partir do centro de Atenas e que o melhor seria ir aeroporto-Rafina e daqui para Mati de táxi. Lá descubro a paragem de autocarros com um grupo de lagostas à espera (com a sua boa disposição audível e as suas latas de cervejas). Quase uma hora depois estou sentado no autocarro, onde não há essas paneleirices de novo-riquismo de bilhetes com bandas magnéticas ou chips, é um simples recibo. Saímos ao som de música popular grega muito foleira e de discussões gregas. Estas últimas são perfeitamente imperceptíveis, mas ao mesmo tempo são sons familiares, não os estranho. Também aos gregos os acho familiares, fisicamente parecidos connosco. Esperava uma saída em grande, uma daquelas auto-estradas para inglês ver, mas não, quero dizer..., também as há (aeroporto-Atenas), mas para Rafina a estrada é, embora pior, semelhante à estrada nacional para o Algarve. Claro que me sentei à janela. Poucas árvores, tudo muito seco, eucaliptos e pinheiros mansos, vinhas muito baixas e desleixadas, toda a paisagem é bastante desleixada (déjà vu), casas inacabadas e pirosas, com uma construção similar à nossa, vêem-se muitos símbolos religiosos e à beira da estrada muitas pequenas empresas de materiais de construção e tascos (pois…). Era altura de eleições, provavelmente locais e a Síndrome de Proliferação de Posters Foleiros (SPPF) é epidémica. Sou despejado no porto de Rafina, onde espera um grande ferry-boat para fazer ligação com as ilhas (pena não ser para mim). Não existe qualquer informação e dirijo-me a um jovem grego a desfrutar o bom tempo (já me ia esquecendo de o mencionar) para perguntar por táxis, o qual muito simpaticamente me indicou o sítio. Ganhei coragem e lá entrei no Toyota Avensis com um taxista apanhado dos ditos, logo com grandes amizades e, claro, lá me gozou com o europeu. O tipo não sabia do hotel (Attica Beach), o que achei muito estranho (Mati dista 4 km de Rafina e tem apenas seis hotéis), então ainda demos umas voltas, mas fez-me um desconto por causa destas e a viagem ficou em 4 €. Final de tarde, calor, logo aproveitei para dar um mergulho (o meu único na Grécia). O hotel de 3 estrelas não é nada de especial, um pouco velho, mas é limpo e barato (não sou muito exigente). Há noite ainda dei uma volta pela terriola, 10 minutos chegaram para a ver e aos cães, que abundam e chateiam que se farta. O melhor é mesmo a costa, extremamente recortada, cheia de baías e enseadas com vista, do meu quarto, para o mar e ilhas.

To be continued...
* Está bom assim John?